segunda-feira, 9 de abril de 2012

Tomé Quié Meu Tatu de O'Q. Carvalho. Claustrofobia

E pedindo desculpa pelo atraso de um dia (visto que as nossas publicações surgem normalmente ao Domingo, pelo menos é o estipulado) o Cadavre Exquis apresenta uma nova entrada, desta vez em verso! Mas antes do poema propriamente dito há que conhecer a personagem que o escreve e a sua pequena biografia que é por si só uma obra de arte!


Tomé Quié Meu Tatu de O' Q. Carvalho morreu aos 18 anos num acidente de carrinho de compras deixando para trás sua esponja e três fios—dois deles já casacos—e contribuíu com mais de 250 letras para o património intelectual da humanidade. Já no fim de vida desabafou em confidência íntima que temia não viver para assistir à estreia da adaptação cinematográfica da sua obra "Arte Hoje em Dia". Faleceu na noite anterior rodeado por 9 amigos próximos e um guarda-redes um pouco mais longe, a quem não dava grandes confianças. Sentiremos todos a sua*falta*.



Claustrofobia (em 4 cantos)

São quatro longos mantos
que me lançam, como redes,
feitiços e encantos
asfixiando tantos
movimentos, as paredes.

Sento-me tonto, moço.
tenho mais do que mil sedes
poço sem água, qual fosso..
são quatro.. e todos ouço
os cantos das paredes.


se não houvessem paredes
a unir o chão com o tecto
pisávamos candeeiros
e ninguém era arquitecto

se nao houvessem paredes
tropeçávamos nas chaminés da metrópole
e nos arranha-calcanhares,
e os pintores tinham muito menos trabalho.



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