Este blog destina-se a todos aqueles que não passam sem escrever. Em jeito de prosa, verso, ensaio ou crónica. A todos aqueles que respiram palavras, que se alimentam de páginas esboçadas com o que mais intimamente lhes pertence. Todos os malditos que choram e esboçam sorrisos a partir de versos. Todas as almas que não vivem sem delinear palavras mesmo que tal os mate à fome. Todos os Domingos uma entrada nova!
domingo, 29 de abril de 2012
Alberto R. Monteiro. Filiação
domingo, 22 de abril de 2012
Poeta de Prateleira. Obsoleta.
Mais um Domingo, mais um texto! E neste caso mais um em forma de verso. Apresentamos um autor que se auto-denomina o «poeta de prateleira». Apreciem!
obsoleta (2012)
ideia que esperneia
nem me dou ao trabalho
de te querer, de te ver
de te dar agasalho
deito fora e agora
devolvida ao baralho
obsoleta ideia e deitei-a
sob tão denso orvalho
não te ver, nem te querer
à espera de um atalho
agora que foste embora
fico a cair onde falho
segunda-feira, 16 de abril de 2012
Maria de Azevedo. Saudade.
Saudade
A dor pelo tempo que me abraça
Inquieto amargo e profundo,
Extorquiu-me o dia, a noite, cada segundo
Matando tudo por onde passa…
Deixando um odor nauseabundo,
Violento, visceralmente entrelaçado,
Impõe-se perante mim, este passado,
Sublime, tirano e vagabundo.
Sonho um dia curar a enfermidade,
Viver passivamente este presente
Sabendo no entanto, que por mais que tente,
Jamais fugirei a esta saudade…
segunda-feira, 9 de abril de 2012
Tomé Quié Meu Tatu de O'Q. Carvalho. Claustrofobia
E pedindo desculpa pelo atraso de um dia (visto que as nossas publicações surgem normalmente ao Domingo, pelo menos é o estipulado) o Cadavre Exquis apresenta uma nova entrada, desta vez em verso! Mas antes do poema propriamente dito há que conhecer a personagem que o escreve e a sua pequena biografia que é por si só uma obra de arte!
Tomé Quié Meu Tatu de O' Q. Carvalho morreu aos 18 anos num acidente de carrinho de compras deixando para trás sua esponja e três fios—dois deles já casacos—e contribuíu com mais de 250 letras para o património intelectual da humanidade. Já no fim de vida desabafou em confidência íntima que temia não viver para assistir à estreia da adaptação cinematográfica da sua obra "Arte Hoje em Dia". Faleceu na noite anterior rodeado por 9 amigos próximos e um guarda-redes um pouco mais longe, a quem não dava grandes confianças. Sentiremos todos a sua*falta*.
Claustrofobia (em 4 cantos)
São quatro longos mantos
que me lançam, como redes,
feitiços e encantos
asfixiando tantos
movimentos, as paredes.
Sento-me tonto, moço.
tenho mais do que mil sedes
poço sem água, qual fosso..
são quatro.. e todos ouço
os cantos das paredes.
se não houvessem paredes
a unir o chão com o tecto
pisávamos candeeiros
e ninguém era arquitecto
se nao houvessem paredes
tropeçávamos nas chaminés da metrópole
e nos arranha-calcanhares,
e os pintores tinham muito menos trabalho.